Hoje eu malhei pesadão. Tava inspirada. Bom, tava estressada. Provas chegando, sensação que quanto mais eu estudo menos eu aprendo, que vou ser a pior médica do mundo inteirinho e por aí vai. Aí foi só a conta: dei o gás na malhacione.
Tava agorinha lendo sobre osteoporose, matéria da próxima prova. Foi lá que eu vi: "fator de risco para desmineralização óssea: FALTA DE ATIVIDADE FÍSICA". Pensei: "caraca, tô bem. Pelo menos nisso aí, eu tô bem". Porque eu malho. Mas eu malho! Eu malho de personal, que é pra não desistir no meio do caminho (já que meu rico dinheirinho está em jogo), e eu malho com gosto. Eu gosto é de sair toda melecada de suor daquela academia, de sair com a blusa branca imunda de graxa das anilhas que eu agarro no abdominal. É uma terapia. Isso sem falar nos benefícios óbvios (e lindos, e durinhos, e sarados!) dos leg press' e dos agachamentos. A cada avaliação física que eu faço, é um pouquinho da minha alma que eu lavo. E a minha personal diz: "você é, atualmente, minha melhor aluna". Mas cá entre nós: IMAGINA A PIOR!!
E ainda tem mais: tem coisa mais relaxante que reparar em todo tipo de gente que resolve aparecer por lá? Vale por 10 comprimidos de Maracugina! Tem aquela que vai de calça branca (e aparentemente sem calcinha) e acha de fazer, exatamente naquele dia, exercícios quase eróticos pro bumbum durante vários minutos; tem a que dita moda, que é toda rechonchudinha mas vai de calça coladinha com um body exatamente no mesmo tom, pra combinar mesmo de com força (pena que ela tá grávida, então só a vejo de roupão. Não tá ditando moda atualmente. Buá!); tem a que vai de macacões (ela os tem de toooodas as cores) exatamente na cor da meia, de trança na franja (sim, na FRANJA!) do cabelo (mesmo beirando os 40 anos) e um batonzão digno de Emily Blunt em algum tapete vermelho por aí, nada a ver com academia. E tem o filho de representante de perfumaria (é, tenho meus informantes) que todo dia toma banho de perfume e chega intoxicando todo mundo no recinto. Não que ele seja o único. Mas pelo menos é o mais nocivo à minha narina. Ugh. Epa, nem acabou: tem o cubano bombadão que diz todo dia que meu cabelo tá lindo. Ai, ele é fofo. E tem as bibas! Aaaai, as bibas! Atóron! Tá por fora, tem biba lá que já ganhou até concurso de beleza. Me mata de orgulho!
E é por isso tudo que, pra mim, malhar é tudo de bom. É claro que tem dia que eu não estou com um pinguinho de vontade de ir pra lá. Mas aí a voz do meu dinheirinho fala mais alto. A voz do dinheirinho e do buchinho também. Gorda nunca mais! Não que eu seja a mais magra do mundo, né? Mas que fazer exercício me ajuda a poder saborear minhas paneladas, buchadas e carneiros guizados em paz, pode apostar que ajuda. Como praticante do negócio e como estudante de medicina, eu recomendo demais. Até porque, honestamente, nem eu e nem você teremos 20 aninhos pra sempre. Olha aí a osteoporose no mundo. Verdade seja dita.
terça-feira, 25 de maio de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
Madrugueition
1 e 40 da madrugada de segunda pra terça. Não sei o que houve não, mas simplesmente me falta inspiração. Me falta há dias. Blog tá abandonado, coitado. Devo estar feliz demais. Né sempre assim? A gente tá mal e escreve, escreve pra caramba e super bem. Basta ficar bem e esquece de tudo. Só quer saber de ficar bem.
E, sendo assim, vamos me esperar ficar mal de novo. Isto é, se é que eu vou ficar mal, ou se é que eu preciso ficar mal pra escrever. Hum. Tô bem mesmo. Essa semana nem 'doença da semana' eu tive. Ou tive e não tô lembrando? Puta merda. É Alzheimer!
See you guys next time then!
E, sendo assim, vamos me esperar ficar mal de novo. Isto é, se é que eu vou ficar mal, ou se é que eu preciso ficar mal pra escrever. Hum. Tô bem mesmo. Essa semana nem 'doença da semana' eu tive. Ou tive e não tô lembrando? Puta merda. É Alzheimer!
See you guys next time then!
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Que saco
domingo, 9 de maio de 2010
Massacre
Dia das mães com gostinho de cabo de guarda-chuva na boca, ou seja: RESSACA. Aaaai, odeio ter ressaca (mas adooooro uma cervejinha)!!

Depois que eu cheguei, às 3 da matina, começou um filme ótimo: O MASSACRE DA BILE AMARGA. Eu vomitei litros de bile. Às 7, às 8 e às 9. Consegui dormir de novo, pra levantar às 11 e cometer o amargo erro de sair pro almoço de dia das mães com a minha ilustríssima Veroneida (vulgo Bêra, pois ela normalmente está à "beira"da loucura). Churrascaria. Dor de cabeça. Barulho. Suor frio. Comida. Naúsea. Tudo junto e misturado. Ao primeiro gole de água de coco, corri pro banheiro. O MASSACRE DA BILE AMARGA, parte 2. Voltamos pra casa. Parte 3. E depois fui pra casa da vó. Péssima, mas não podia fazer a desfeita de não ir vê-la, afinal é mãe do meu pai (e meu nome, por sinal, é em homenagem a ela!). 3 da tarde: hora de ir pra casa. Parte 4 ameaçou vir, mas desistiu. Deus é Pai (e, segundo meu amigo mais armorial, lady é Gaga).
E agora estou aqui, tendo recém descoberto que Geisy Arruda lançou a própria grife de vestidos (adivinha a cor predominante na coleção?), amargando uma bela dor de cabeça (eu já gosto de ter dor de cabeça!), referindo dor no corpo caloso, com uma fatia de pão e uma xícara de café na barriga, tudo que consegui que permanecesse no meu estômago durante todo o dia. Vou pensar seriamente antes de beber na véspera do dia das mães do ano que vem.
Coragem, onde é q tu tá, pelamorde?!?

(mamis e eu com os cabelos ao vento em plena Quinta Avenida, em NY, em maio de 2009)
Tudo por causa de um uisquezinho com guaraná numa festinha de aniversário. E o bicho era Chivas, leia-se 12 anos! E, mesmo assim, Belzinha tá aqui: morta. Começou na volta da festa: eu e o bofe fizemos revezamento de vômitos. Ou seja: a gente encostava o carro de 5 em 5 minutos. Uma vez ele vomitava, uma vez eu. Olha que legal! Já quero brincar disso de novo! (ecat)Depois que eu cheguei, às 3 da matina, começou um filme ótimo: O MASSACRE DA BILE AMARGA. Eu vomitei litros de bile. Às 7, às 8 e às 9. Consegui dormir de novo, pra levantar às 11 e cometer o amargo erro de sair pro almoço de dia das mães com a minha ilustríssima Veroneida (vulgo Bêra, pois ela normalmente está à "beira"da loucura). Churrascaria. Dor de cabeça. Barulho. Suor frio. Comida. Naúsea. Tudo junto e misturado. Ao primeiro gole de água de coco, corri pro banheiro. O MASSACRE DA BILE AMARGA, parte 2. Voltamos pra casa. Parte 3. E depois fui pra casa da vó. Péssima, mas não podia fazer a desfeita de não ir vê-la, afinal é mãe do meu pai (e meu nome, por sinal, é em homenagem a ela!). 3 da tarde: hora de ir pra casa. Parte 4 ameaçou vir, mas desistiu. Deus é Pai (e, segundo meu amigo mais armorial, lady é Gaga).
E agora estou aqui, tendo recém descoberto que Geisy Arruda lançou a própria grife de vestidos (adivinha a cor predominante na coleção?), amargando uma bela dor de cabeça (eu já gosto de ter dor de cabeça!), referindo dor no corpo caloso, com uma fatia de pão e uma xícara de café na barriga, tudo que consegui que permanecesse no meu estômago durante todo o dia. Vou pensar seriamente antes de beber na véspera do dia das mães do ano que vem.
Coragem, onde é q tu tá, pelamorde?!?
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Enjoei :P
Nem que vc esteja tão desprovido de cédulas de real quanto eu, mas pelo menos pra dar boas risadas e ler bons textinhos descritivos: dá uma passada no Enjoei! Ai, adoro. Meu sonho é botar minhas calcinhas pra vender lá.
À plus! (oui, j'adore la France)
À plus! (oui, j'adore la France)
Hipocondria
Ai, ai, ai. Tô aqui morrendo de dor de cabeça. Desde 1 da tarde que essa danada me perturba e nada de passar. Pelo contrário, fica piorando a cada minuto que passa. Tomei um Tylenolzinho há uma hora, mas foi mesmo que tomar uma garapa de açúcar. Deu em NADA. Fico revoltada por não saber a causa dessa nojenta pra poder dar um fim nela. Afinal, eu faço medicina, tenho obrigação de saber. Isso (que eu tenho obrigação de saber) meu inconsciente é quem me diz. Ele me exige bastante. E, quando eu não correspondo às expectativas dele, ele vira um treco chamado PESO NA CONSCIÊNCIA. É osso.
Fui pra academia hoje de tarde mesmo com essa dor de cabeça petulante me enchendo o saco. Eu sei que não se deve malhar com dor de cabeça (pelo menos é isso que a minha instrutora me diz e eu nunca fui atrás de saber porquê), mas o tal do pesinho na consciência falou mais alto. Fui, malhei braço e agora a dor tá 30 vezes pior. E o pior de tudo é que nem posso tomar o remédio mais forte que Tylenol que eu tenho aqui, o Cefaliv, porque ultimamente ele tá me dando umas agonias no juízo, sabe-se lá o que isso significa. Eu não fico me sentindo bem e eu não sei como descrever o "não me sentindo bem". Mesmo fazendo medicina. E mesmo com peso na consciência.
E eu, depois da malhação, no banho, pensando: "peraí, não posso falar de dor de cabeça no blog. A doença da semana é hipertireoidismo"! Pois é. Agora, toda semana aparece uma doença nova. Nas férias, era carcinoma no estômago. Semana retrasada, era diabetes. A da semana passada eu nem lembro mais. E a dessa semana é hipertireoidismo. E, abarcando todas elas, vem a HIPOCONDRIA. Eu sei. No consciente, Belzinha sabe da real presença da hipocondria. Mas inconscientemente... ai, ai, ai, é difícil. E o engraçado é que eu não gosto de tomar remédio. Morro de medo de ter um piripaque e morrer de efeito colateral, de overdose, de interação medicamentosa, de doidice esclerosante aguda, o que seja. Mas em matéria de arranjar doença... ah, isso é comigo mesma! E, considerando que estamos na clínica e toda semana a gente tem aula de cinco, seis doenças (das sérias) diferentes, eu resumo tudo em uma frase: tô lascada. Bem, resumo em duas: (1) tô lascada e (2) haja terapia.
Eu tenho todo um histórico de transtorno de ansiedade, de ataques de pânico, de psicólogas e psiquiatras e de Maracujinas. Ou seja: doidice tá no lugar certo. Hoje em dia, eu me considero meio que em latência dos meus distúrbios psicológicos, apesar de, todo mês, na época da famigerada TPM, eu jurar que vou voltar correndo pra minha terapia. Mas aí, no dia seguinte, a doidice passa. E eu me considero ótima, pronta pra próxima. É, minha gente: problema de cabeça é coisa séria. Que o diga quem tem chifre! (ô piada infame)

Ai, ai, ai. Às vezes eu queria tanto ser mais calminha!
Fui pra academia hoje de tarde mesmo com essa dor de cabeça petulante me enchendo o saco. Eu sei que não se deve malhar com dor de cabeça (pelo menos é isso que a minha instrutora me diz e eu nunca fui atrás de saber porquê), mas o tal do pesinho na consciência falou mais alto. Fui, malhei braço e agora a dor tá 30 vezes pior. E o pior de tudo é que nem posso tomar o remédio mais forte que Tylenol que eu tenho aqui, o Cefaliv, porque ultimamente ele tá me dando umas agonias no juízo, sabe-se lá o que isso significa. Eu não fico me sentindo bem e eu não sei como descrever o "não me sentindo bem". Mesmo fazendo medicina. E mesmo com peso na consciência.
E eu, depois da malhação, no banho, pensando: "peraí, não posso falar de dor de cabeça no blog. A doença da semana é hipertireoidismo"! Pois é. Agora, toda semana aparece uma doença nova. Nas férias, era carcinoma no estômago. Semana retrasada, era diabetes. A da semana passada eu nem lembro mais. E a dessa semana é hipertireoidismo. E, abarcando todas elas, vem a HIPOCONDRIA. Eu sei. No consciente, Belzinha sabe da real presença da hipocondria. Mas inconscientemente... ai, ai, ai, é difícil. E o engraçado é que eu não gosto de tomar remédio. Morro de medo de ter um piripaque e morrer de efeito colateral, de overdose, de interação medicamentosa, de doidice esclerosante aguda, o que seja. Mas em matéria de arranjar doença... ah, isso é comigo mesma! E, considerando que estamos na clínica e toda semana a gente tem aula de cinco, seis doenças (das sérias) diferentes, eu resumo tudo em uma frase: tô lascada. Bem, resumo em duas: (1) tô lascada e (2) haja terapia.
Eu tenho todo um histórico de transtorno de ansiedade, de ataques de pânico, de psicólogas e psiquiatras e de Maracujinas. Ou seja: doidice tá no lugar certo. Hoje em dia, eu me considero meio que em latência dos meus distúrbios psicológicos, apesar de, todo mês, na época da famigerada TPM, eu jurar que vou voltar correndo pra minha terapia. Mas aí, no dia seguinte, a doidice passa. E eu me considero ótima, pronta pra próxima. É, minha gente: problema de cabeça é coisa séria. Que o diga quem tem chifre! (ô piada infame)

(essa aqui é só pra ilustrar um momento de completo relaxamento e ausência de peso na consciência numa das aulas de farmacologia do semestre passado)
Ai, ai, ai. Às vezes eu queria tanto ser mais calminha!
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Ah, o amor!
Hoje eu tô com vontade de falar de amor. Não sei se é porque estou próximo aos dias vermelhos (piro no melô da vaca menstruada até hoje!), mas a verdade é que meus últimos dias têm sido, digamos, sentimentais. Isso é estranho vindo de mim, uma vez que me considero um tanto fria demais pros padrões brasileiros, e isso inclui uma certa aversão a beijos e abraços (comum a mim e ao meu pai, o que minha mãe odeia). Hum, mas estou resolvendo isso.

Quero falar de amooooor! A gente começou a clínica pra valer essa semana e calhou que hoje de manhã fui pra um hospital infantil ter aula de cirurgia (teoricamente). Com o contato com pacientes, o amor super aflorou em mim. Aflorou até instinto materno, coisa que eu nunca havia sentido na vida! É isso que move os médicos, minha gente: AMOR! Só vai saber o que isso realmente significa quem tiver o privilégio de ser escolhido pra seguir essa profissão sofrida, mas linda, rica, EXUBERANTE. Eu tenho certeza que fui escolhida pra ela desde que eu nasci, mas eu nunca havia tido a coragem de me dar a oportunidade de tentar segui-la. Hoje em dia, a 4 anos do fim, essa certeza é mais forte ainda. Eu sinto verdadeiro amor pelo que eu faço, por mais que às vezes eu leve patada de professora e por mais que eu SEMPRE seja reprovada em prova de seleção de liga. Aff... isso me magoa. Mas mesmo aí existe o amor. Se eu não amasse isso tudo, eu já teria desistido. Já teria aberto mão de estacionar meu carrinho naquele favelal do Hospital Geral, de sentir catinga de cocô de gato nos jardins da faculdade e de aturar professor mal humorado e que simplesmente se lixa pra faculdade. E agora rumores de greve de novo. Tomara que meu pai não leia isso!
Ah, mas o amor... senti fortemente o amor perto de mim hoje de manhã. Aliás, acho que nunca fui tão bombardeada por rajadas de amor como hoje. Leia-se mães cheias de amor segurando no colo seus filhinhos de lábios fissurados sendo atendidos por uma equipe multidisciplinar igualmente cheia de amor, pra que os pequenos possam passar por cirurgias, atendimento odontológico e fonoaudiológico etc e que possam vir a ser "normais", entre aspas mesmo, uma vez que o conceito de normal é bem relativo. É, há um certo preconceito para com os bebês que nascem com lábio leporino. Até as mães, segundo o professor disse lá, acham seus filhotes feios quando do nascimento.
Mas ali, hoje, eu só vi beleza. E vi amor. Vi amor no meu professor, um cirurgião plástico que atendia cada criancinha com todo o carinho de que ele podia dispor, tirava nossas dúvidas, nos explicava todos os pormenores da deformidade e mostrava até um livro enorme de cirurgia com desenhos das técnicas de correção; vi amor na fonoaudióloga que nos recebeu, falando toda empolgada do projeto de apoio aos fissurados, os olhos brilhando; vi amor no meu coleguinha, que foi forçado a segurar um bebê de 5 meses fissurado e sorridente mesmo sem ter o menor jeito pra isso; e vi um amor absurdo em mim, pois me apaixonei por cada criança que passou pelo nosso consultório improvisado hoje de manhã. Nem de pirralho eu gosto, meu povo. Mas hoje... hoje fez plim plim! Fiquei doida pra fazer pediatria. Sim, eu na pediatra. Parece mentira.
Aquelas mãezinhas... sério: eu só vou entender o que elas sentem quando eu for mãe. Minha mãe sempre diz que é algo incomensurável, inexplicável. Ela diz que marido pode ir embora, amigo pode deixar de ser amigo. Mas filho, filho nunca vai deixar de ser filho. Lindo, né? Lá no hospital, uma mãe tinha vindo de Icó com o neném. A outra, de Salitre (onde ser isso?!). Uma outra, de mais perto: Aquiraz. E todas com uma vontade enorme de ver seus filhos abrindo um sorriso perfeito, mostrando os dentinhos, falando todos os fonemas.
E ontem, na clínica de endócrino, eu também vi (e senti) amor, embora não tão forte quanto hoje. Entrou um paciente senhorzinho que me lembrou muito meu pai. Fisicamente não tinha nada a ver. Aliás, não parecia em nada. Mas achei de enxergar o tal senhor de uns 55 anos, barbado, como meu pai (que só tem 51 e não usa barba). E ele lá, mostrando as manchinhas na perna, manchas de sol mesmo, a um bando de aluno tão leigo quanto ele, e dizendo que "não é ceroto, tá limpo". Dizendo que a própria mulher havia cortado suas unhas dos pés pra que ele fosse ao médico, que odiava o próprio nome e que havia colocado um nome lindo e original na filha: "Valeska Stephanie", pra meio que se livrar do peso de carregar um Raimundo nas costas. E, depois, ele disse que precisou fazer um exame que não era oferecido pela rede pública (aliás, que rede pública insolente!) e precisaria pagar por ele 360,00 reais. E completou: "doutora, 360 reais eu ganho num mês". Ah, meu Brasil. Como seria duro ter de escutar meu papi dizer isso!
Eu acho que, se a gente projetasse quem a gente ama nos nossos pacientes, a medicina seria revolucionada. Nada é mais forte que o amor. Nada mesmo. E pode me achar abestada. Admito q tô sentimental demais esses dias.
Agora tá na hora de amar o agachamento a fundo!
Tô indo malhar =)

Quero falar de amooooor! A gente começou a clínica pra valer essa semana e calhou que hoje de manhã fui pra um hospital infantil ter aula de cirurgia (teoricamente). Com o contato com pacientes, o amor super aflorou em mim. Aflorou até instinto materno, coisa que eu nunca havia sentido na vida! É isso que move os médicos, minha gente: AMOR! Só vai saber o que isso realmente significa quem tiver o privilégio de ser escolhido pra seguir essa profissão sofrida, mas linda, rica, EXUBERANTE. Eu tenho certeza que fui escolhida pra ela desde que eu nasci, mas eu nunca havia tido a coragem de me dar a oportunidade de tentar segui-la. Hoje em dia, a 4 anos do fim, essa certeza é mais forte ainda. Eu sinto verdadeiro amor pelo que eu faço, por mais que às vezes eu leve patada de professora e por mais que eu SEMPRE seja reprovada em prova de seleção de liga. Aff... isso me magoa. Mas mesmo aí existe o amor. Se eu não amasse isso tudo, eu já teria desistido. Já teria aberto mão de estacionar meu carrinho naquele favelal do Hospital Geral, de sentir catinga de cocô de gato nos jardins da faculdade e de aturar professor mal humorado e que simplesmente se lixa pra faculdade. E agora rumores de greve de novo. Tomara que meu pai não leia isso!
Ah, mas o amor... senti fortemente o amor perto de mim hoje de manhã. Aliás, acho que nunca fui tão bombardeada por rajadas de amor como hoje. Leia-se mães cheias de amor segurando no colo seus filhinhos de lábios fissurados sendo atendidos por uma equipe multidisciplinar igualmente cheia de amor, pra que os pequenos possam passar por cirurgias, atendimento odontológico e fonoaudiológico etc e que possam vir a ser "normais", entre aspas mesmo, uma vez que o conceito de normal é bem relativo. É, há um certo preconceito para com os bebês que nascem com lábio leporino. Até as mães, segundo o professor disse lá, acham seus filhotes feios quando do nascimento.
Mas ali, hoje, eu só vi beleza. E vi amor. Vi amor no meu professor, um cirurgião plástico que atendia cada criancinha com todo o carinho de que ele podia dispor, tirava nossas dúvidas, nos explicava todos os pormenores da deformidade e mostrava até um livro enorme de cirurgia com desenhos das técnicas de correção; vi amor na fonoaudióloga que nos recebeu, falando toda empolgada do projeto de apoio aos fissurados, os olhos brilhando; vi amor no meu coleguinha, que foi forçado a segurar um bebê de 5 meses fissurado e sorridente mesmo sem ter o menor jeito pra isso; e vi um amor absurdo em mim, pois me apaixonei por cada criança que passou pelo nosso consultório improvisado hoje de manhã. Nem de pirralho eu gosto, meu povo. Mas hoje... hoje fez plim plim! Fiquei doida pra fazer pediatria. Sim, eu na pediatra. Parece mentira.
Aquelas mãezinhas... sério: eu só vou entender o que elas sentem quando eu for mãe. Minha mãe sempre diz que é algo incomensurável, inexplicável. Ela diz que marido pode ir embora, amigo pode deixar de ser amigo. Mas filho, filho nunca vai deixar de ser filho. Lindo, né? Lá no hospital, uma mãe tinha vindo de Icó com o neném. A outra, de Salitre (onde ser isso?!). Uma outra, de mais perto: Aquiraz. E todas com uma vontade enorme de ver seus filhos abrindo um sorriso perfeito, mostrando os dentinhos, falando todos os fonemas.
E ontem, na clínica de endócrino, eu também vi (e senti) amor, embora não tão forte quanto hoje. Entrou um paciente senhorzinho que me lembrou muito meu pai. Fisicamente não tinha nada a ver. Aliás, não parecia em nada. Mas achei de enxergar o tal senhor de uns 55 anos, barbado, como meu pai (que só tem 51 e não usa barba). E ele lá, mostrando as manchinhas na perna, manchas de sol mesmo, a um bando de aluno tão leigo quanto ele, e dizendo que "não é ceroto, tá limpo". Dizendo que a própria mulher havia cortado suas unhas dos pés pra que ele fosse ao médico, que odiava o próprio nome e que havia colocado um nome lindo e original na filha: "Valeska Stephanie", pra meio que se livrar do peso de carregar um Raimundo nas costas. E, depois, ele disse que precisou fazer um exame que não era oferecido pela rede pública (aliás, que rede pública insolente!) e precisaria pagar por ele 360,00 reais. E completou: "doutora, 360 reais eu ganho num mês". Ah, meu Brasil. Como seria duro ter de escutar meu papi dizer isso!
Eu acho que, se a gente projetasse quem a gente ama nos nossos pacientes, a medicina seria revolucionada. Nada é mais forte que o amor. Nada mesmo. E pode me achar abestada. Admito q tô sentimental demais esses dias.
Agora tá na hora de amar o agachamento a fundo!
Tô indo malhar =)
sábado, 24 de abril de 2010
Xampu e barrinha
Eu sou doida por farmácia. Se eu ficar mais de 10 minutos dentro de uma, eu saio totalmente desprovida de dinheiro da loja. Compro tudo que eu vejo pela frente. E não sei se todo mundo sabe, mas farmácia nos EUA é um supermercado, mas só com a parte boa deles. Eu piro na batatinha! Os supermercados de lá têm mais ou menos o mesmo estilo, mas são enormes e vendem de um tudo, inclusive remédio (a exemplo do Wal Mart). E eis que aqui agora inauguraram um supermercado do tipo: o tal do Sam's Club.

Menina, em pleno sábado de tarde, saindo do salão de beleza, pensei: "quer saber? Vou-me já conhecer esse dito cujo". E fui. Eu já tinha feito o cartãozinho de lá há meses (só pode comprar lá com esse cartão e ele dá inclusive desconto em lavanderia, padaria, salão de beleza etc etc... eu acho que vale a pena!), mas eu nunca tinha ido pegá-lo. Aproveitei logo hoje pra fazer tudo isso. E pense num troço enorme e BARATO PRA CARAMBA! Sinceramente, eu só não comprei mais porque não havia pegado um bendito carrinho (e aí carreguei 2 litros de xampu e outros trecos nas mãos o tempo todo) e lá eles simplesmente não aceitam cartão de crédito, só de débito (e dinheiro, claro). Só descobri isso no caixa, com os braços cheios de buginganga, e juro que passou pela minha cabeça que eu fosse lavar os pratos ou os banheiros do local por ininterruptas cinco horas. Mas ainda bem que eu tinha plata suficiente! Aleluia!
Pois bem, como eu falei, os preços são MARA. Mas tipo, tem que comprar mais de dois itens, e ainda tem item que vem em uma embalagem enorme (como meu Pantene da foto. Coloquei a caneta só pra se ter uma ideia do tamanho da belezura). E o sortimento não é assim uma Brastemp.
E eu também comprei essas caixonas de barrinhas de banana e cereal, com 24 unidades cada uma. Pra mim, consumidora assídua, foi A compra. Tinha até aqueles xampus Johnson's de bebê, dos amarelinhos, em embalagem de 1 litro. Super econômico. So United States of America! Me senti passeando no Wal Mart de Orlando. Faltaram só os potes infinitos de todos os tipos de vitaminas que eles vendem por lá, tipo a vitamina C mastigável. Nem vou mentir que eu adoro.
Pois é. Agora que eu fiz a propaganda, vou pedir minha comissão. Bem que eu mereço, né?
(compritchas básicas: xampu de 1 litro a 17,90 e barrinhas de banana e cereal a menos de 1,50 cada uma)
Menina, em pleno sábado de tarde, saindo do salão de beleza, pensei: "quer saber? Vou-me já conhecer esse dito cujo". E fui. Eu já tinha feito o cartãozinho de lá há meses (só pode comprar lá com esse cartão e ele dá inclusive desconto em lavanderia, padaria, salão de beleza etc etc... eu acho que vale a pena!), mas eu nunca tinha ido pegá-lo. Aproveitei logo hoje pra fazer tudo isso. E pense num troço enorme e BARATO PRA CARAMBA! Sinceramente, eu só não comprei mais porque não havia pegado um bendito carrinho (e aí carreguei 2 litros de xampu e outros trecos nas mãos o tempo todo) e lá eles simplesmente não aceitam cartão de crédito, só de débito (e dinheiro, claro). Só descobri isso no caixa, com os braços cheios de buginganga, e juro que passou pela minha cabeça que eu fosse lavar os pratos ou os banheiros do local por ininterruptas cinco horas. Mas ainda bem que eu tinha plata suficiente! Aleluia!
Pois bem, como eu falei, os preços são MARA. Mas tipo, tem que comprar mais de dois itens, e ainda tem item que vem em uma embalagem enorme (como meu Pantene da foto. Coloquei a caneta só pra se ter uma ideia do tamanho da belezura). E o sortimento não é assim uma Brastemp.
E eu também comprei essas caixonas de barrinhas de banana e cereal, com 24 unidades cada uma. Pra mim, consumidora assídua, foi A compra. Tinha até aqueles xampus Johnson's de bebê, dos amarelinhos, em embalagem de 1 litro. Super econômico. So United States of America! Me senti passeando no Wal Mart de Orlando. Faltaram só os potes infinitos de todos os tipos de vitaminas que eles vendem por lá, tipo a vitamina C mastigável. Nem vou mentir que eu adoro.
Pois é. Agora que eu fiz a propaganda, vou pedir minha comissão. Bem que eu mereço, né?
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